Vou partir!
Deixar-me levar pelo mundo dos sonhos e sair em qualquer porto de abrigo para sentir o ar puro da liberdade, que embora inexistente, me deixa a ilusão do seu sabor.
Vou embora, para trás da porta vou deixar perguntas, respostas, argumentos e interrogações.
Ninguém vem comigo, levo o meu coração.
Deixo o último sorriso e o último suspiro.
O vento é o meu limite, o céu o meu anseio, a paz a busca.
Vou voar daqui, vou chutar a caixa de retratos que esteve algum dia intrínseca em mim.
Aquele som, aquela melodia, aquele piano que me transmite o calor do mundo, fica. Mas levo-o comigo. Vou em busca do calor do mundo.
Descobrirei sorrisos, corações, novos sonhos e angústias. Vou recortar tudo o que vejo de bom, vou guardar, vou cheirar e sentir.
Quero ver os novos horizontes que me transmite cada perspectiva do mundo. Quero conhecer todos os olhares, quero agarrar todos os acenos de despedida.
Vou ver o quanto é bom ansiar a nossa casa, vou sentir sede do cheiro da minha alma.
Vou correr atrás da minha sombra e saltar palavras que nunca foram expressadas e acabadas. Vou atirar o Eu para o mundo e sentir que sou um nada. Vou ficar vazia, leve, feliz. Vou saltar montanhas e sorrir para a natureza. Vou correr pela cidade e sentir que nada daquilo me pertence.
Vou me procurar, encontrar e por um dia, idolatrar o mundo.
domingo, 30 de dezembro de 2007
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