domingo, 30 de dezembro de 2007

Adeus

Vou partir!
Deixar-me levar pelo mundo dos sonhos e sair em qualquer porto de abrigo para sentir o ar puro da liberdade, que embora inexistente, me deixa a ilusão do seu sabor.
Vou embora, para trás da porta vou deixar perguntas, respostas, argumentos e interrogações.
Ninguém vem comigo, levo o meu coração.
Deixo o último sorriso e o último suspiro.
O vento é o meu limite, o céu o meu anseio, a paz a busca.
Vou voar daqui, vou chutar a caixa de retratos que esteve algum dia intrínseca em mim.
Aquele som, aquela melodia, aquele piano que me transmite o calor do mundo, fica. Mas levo-o comigo. Vou em busca do calor do mundo.
Descobrirei sorrisos, corações, novos sonhos e angústias. Vou recortar tudo o que vejo de bom, vou guardar, vou cheirar e sentir.
Quero ver os novos horizontes que me transmite cada perspectiva do mundo. Quero conhecer todos os olhares, quero agarrar todos os acenos de despedida.
Vou ver o quanto é bom ansiar a nossa casa, vou sentir sede do cheiro da minha alma.
Vou correr atrás da minha sombra e saltar palavras que nunca foram expressadas e acabadas. Vou atirar o Eu para o mundo e sentir que sou um nada. Vou ficar vazia, leve, feliz. Vou saltar montanhas e sorrir para a natureza. Vou correr pela cidade e sentir que nada daquilo me pertence.
Vou me procurar, encontrar e por um dia, idolatrar o mundo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Liberdade de expressão?

Hoje, quero construir o meu Kremlin. Quero muros enormes, daqueles que tapam as nuvens, quero um ar respirável só por quem lá está e ideais lideradas somente por quem lá coabita. Quero que se pareça com aqueles complexos fortificados que se encontravam nas cidades russas históricas. Quero uma fortaleza só para mim!
Acho que só assim é que a tão falada liberdade de expressão funciona, nas nossas mentes, no nosso Kremlin imaginário, na nossa divagação ou ingenuidade.
Aqui em Portugal, acho que nem toda a gente está bem informada sobre este ponto, se perguntar a alguém acho que recebo uma resposta do género “Ai menina no tempo do Salazar isso é que era, agora não! Agora vivemos em democracia!”. No tempo de Salazar......................... E ainda há quem diga que o que o nosso país precisa é de um novo Salazar! Não entendo isto, mas se calhar também não o posso.
Liberdade de expressão, total dependência dos media, não me parece. Qualquer instituição do Estado é dominada por ele e que ninguém me venha dizer que tudo o que acontece vem estampado integralmente nos jornais. Não!
Esta realidade é exacerbada na Rússia, aquele belo país que nunca está sossegado. Com a morte de uma jornalista russa reconhecida na Europa e praticamente desconhecida no seu país de origem, Anna Politkovskaia, a opressão e a manipulação da Comunicação Social russa é falada no jornal Público. Ao ler esta reportagem tive consciência de uma realidade constantemente falada, onde eu não opinava convictamente, uma vez que desconhecia de qualquer história russa em concreto. Resumidamente:


Desde que Putin é presidente da Rússia, 13 jornalistas foram assassinados no país. “A Rússia não está em guerra, as estatísticas mostram que algo de errado se passa”, reconhece Roman Shleinov, do Novaya Gazeta.
“Os jornalistas são mortos e, infelizmente, a instrução criminal não faz o seu trabalho”, diz Venediktov. “Porque a instrução, o poder, desprezam o trabalho jornalístico. Se matam um banqueiro, um deputado, qualquer personalidade, o procurador-geral investiga e encontra o assassino. Mas se é um jornalista, como é a profissão desprezada aqui, já não fazem o seu trabalho como deveriam.”
É também isso que diz Alexei Simonov: as investigações sobre os jornalistas assassinados não têm levado a lado nenhum, o único resultado tem sido a total impunidade. É como dizer: o crime compensa. “Não há razão para haver bom jornalismo no país.”
In Público


Quem culpam destes assassínios? Pensem...
Mas aqui está mais uma prova de que ser justo, verdadeiro e sincero tem um resultado negativo, este mundo já não é o que era... Ser jornalista não pode ser o que era, mas felizmente há belos casos que ainda lutam por um mundo melhor.
Só para concluir:


Yassen Zassourski, 79 anos, foi o reitor da faculdade de jornalismo da Universidade Estatal de Moscovo desde 1965 até este ano - agora é presidente. Formou gerações e gerações de jornalistas russos, atravessou intacto o período soviético, a glasnost, o putinismo - e ainda aqui está, quando a vida da maioria dos seus compatriotas seguiu o exemplo do país, isto é, foi convulsa. Seria tema para uma longa conversa, mas Zassoursky só tem 10 minutos. “Os jornalistas são pessoas especiais. São um animal diferente. Vivem para tornar públicos os seus pontos de vista, e essa é uma obsessão perigosa."



in PÚBLICO - Edi. Imprensa | Domingo 16 Dezembro 2007

ou:
http://comunicamos.wordpress.com/2007/12/16/e-perigoso-ser-jornalista/#more-491